NATAL LONGE DE CASA

Natal sempre foi uma data que passei com a minha família, com poucas exceções. Tenho as melhores e mais doces memórias de vésperas de Natal passadas com a parte paterna da minha família e dias de Natal passados com o lado da minha mãe ou vice-versa. Também costumávamos passar na casa de alguns amigos e da minha avó afetiva – a complexa parte não biológica da minha família que sou super apegada e que precisa de um post separado para ser entendida.

Fui o tipo de criança que acreditava em Papai Noel, com todas as minhas forças. Escrevia cartinhas fofas com listas de presentes ano após ano. Lembro de um ano que Papai Noel (que depois eu descobri ser meu pai) me ligou e perguntou se eu tinha sido uma boa menina durante o ano. Na véspera de Natal, geralmente umas oito da noite, meus pais davam um jeito de me fazer sair de casa e colocavam o presente embaixo da árvore. Quando eu voltava, encontrava a janela da sala aberta, meu pai no sofá olhando para o céu e apontando para a direção que Papai Noel tinha ido depois de deixar meu presente em casa. Sempre ficava chateada porque eu queria tê-lo conhecido pessoalmente, mas meus pais diziam que ele era um cara mega ocupado e tinha que passar na casa de muitas crianças antes da meia noite. Lembro do sentimento de frustração por não ter conhecido Papai Noel com a ansiedade em abrir o presente como se fosse ontem.

Com o passar do tempo, fomos mudando a forma de comemorar o Natal. As crianças da família foram crescendo, primos foram casando e criando as próprias famílias, o que os fazia ganhar mais uma família para visitar no Natal e, por mais que eu não faça parte do grupo que casou, eu também fui seguindo meu caminho e minha vida também mudou. Já não acreditava mais em Papai Noel, passei o meu primeiro Natal longe da família há sete anos quando fui para o Canadá e esse ano viveria a experiência pela segunda vez.

Por mais que não fosse a primeira experiência, não tinha ideia de como reagiria. O primeiro Natal que passei longe de casa eu tinha 19 anos, era minha primeira vez fora do país e estava vendo neve pela primeira vez. Pelo o que me lembro, havia mais empolgação do que reflexão.  Ainda que hoje, com a idade e maturidade, eu esteja mais reflexiva, não acho que passar o Natal longe seja a pior coisa do mundo. Todos sabemos que há problemas maiores e tenho aprendido cada vez mais a valorizar a qualidade do tempo que passo com quem amo independentemente da data. No entanto, sempre é uma incerteza. Quanto mais a gente se conhece mais a gente percebe que podemos reagir de modo diferente à situações parecidas.

Já estava me preparando mentalmente para passar o Natal sozinha. Estava mentalizando que seria um dia como os outros, tentandome convencer de que tudo ficaria bem. E ficou. Na véspera, eu realmente fiquei sozinha. Tratei de fazer uma comida bem gostosa, à moda brasileira, coloquei a trilha sonora natalina para tocar e aproveitei para fazer o “balanço do ano”. Mas o dia de Natal foi completamente diferente. Uma amiga minha deu uma festa na casa dela e fizemos uma celebração multicultural. Comida japonesa, tailandesa, coreana, brasileira e australiana, troca de presentes, bingo e muito aprendizado.

A internet, que sempre ajuda nessas horas, me permitiu falar com a minha família um pouquinho para matar as saudades e eu fui deitar na noite do dia 25 me sentindo extremamente feliz. Por mais que eu estivesse – e ainda estou – longe de casa, eu não poderia estar mais perto dos meus sonhos e da minha versão mais verdadeira. Fui dormir com o coração cheio de amor e gratidão e se o Natal não é sobre esses dois sentimentos eu não sei sobre o que é.

 

 

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